Os desafios para o uso do planejamento estratégico na administração pública municipal

Silva, Aldemar Francklin Souza (2024)

tcc

O Planejamento Estratégico mostra-se como uma forma de organizar os meios para concretizar os objetivos e as metas pretendidas. No âmbito da Administração Pública Municipal, percebemos que muitos são os desafios para implantação do planejamento estratégico, notadamente em razão dos percalços enfrentados diariamente, somados a outros fatores alheios à vontade do gestor público. Assim, sendo o planejamento um importante instrumento de gerenciamento, surge-se a indagação de como usar o planejamento estratégico de forma eficaz no âmbito da Administração Pública Municipal. Desta forma, a presente pesquisa mostra-se importante para analisar um tema recorrente no cotidiano da gestão pública municipal. Esse estudo justifica-se em mostrar que o uso do planejamento estratégico em muitas organizações públicas é recente, tendo seus gestores pouco ou nenhum conhecimento sobre essa ferramenta de gestão. Além disso, o crescimento da sua utilização aumenta também o interesse da academia e a demanda dos gestores públicos por mais informações sobre o assunto. Por essas razões, observou-se que o momento é oportuno para a condução de uma pesquisa que identificasse os desafios para o uso do planejamento estratégico (BRASIL, 2012). A falta de planejamento estratégico na Administração Pública Municipal, além de acarretar atrasos no desenvolvimento das objetivos e alcance das metas, ocasiona também ineficiência na aplicação dos recursos. São diversos os fatores que se mostram necessários para transformar esse cenário, como por exemplo: a vontade política para iniciar um processo de transformação nos órgãos que compõem a estrutura administrativa; dispor de uma liderança competente, com visão de boas práticas, definição e tomada de decisões, sensibilidade social e um forte senso comum. Este estudo tem com o objetivo analisar e avaliar os principais desafios para o uso do planejamento estratégico na administração pública municipal, bem como identificar os meios facilitadores para que se possa realizar o planejamento de forma eficaz. Os objetivos específicos são: verificar quais os entraves que influenciam negativamente nas etapas do planejamento e analisar quais os fatores mostram-se eficazes para implantação do planejamento estratégico. Arcabouço teórico e/ou legal Quando surgiu o planejamento estratégico, em meados da década de 1950, aos poucos foi sendo popularizado e adotado pela maioria das grandes empresas privadas devido à sua aplicabilidade em diversos setores da economia. Como resultado, rapidamente passou a ser considerada pelos líderes empresariais como uma boa prática para a execução da estratégia, pois se caracteriza por fortalecer a competitividade das unidades organizacionais individuais (WILSON, 1990; MINTZBERG , 1994; BRYSON, 2004). O planejamento estratégico municipal é função administrativa indispensável dos gestores, pois por meio dele é possível visualizar o que precisa ser implementado a fim de buscar o bem-estar dos cidadãos. A prática do planeamento estratégico, para além de promover a gestão urbana, visa alterar activamente os maus problemas da população local, eliminar problemas institucionais e corrigir imperfeições administrativas, sem esquecer as variáveis do meio social, em que se reconhece que a diversidade local e a importância do desenvolvimento urbano. função social (ANDRADE, et al., 2005, p. 22). Como alertou Bryson (2004), o processo de planejamento estratégico nas organizações públicas não é simples, pois é preciso levar em consideração as peculiaridades internas e externas do setor público. As ferramentas de gestão importadas do ambiente privado, incluindo o planejamento estratégico, podem apresentar limitações para sua utilização nas organizações públicas, tais como: a necessidade de comprometimento e participação das pessoas envolvidas; decisões difíceis devido a fatores políticos, financeiros e legais; objetivos vagos, em comparação com o setor privado, que deve relate suas ações em benefício de um grupo limitado de partes interessadas no setor público, um conjunto mais amplo de partes interessadas e pode levar a conflitos de interesse e objetivos vagos para corresponder a percepções diferentes (BRYSON, 2004,p.23). Segundo Krakauer et al. (2010), defendem que o planejamento estratégico é uma técnica que pode orientar a estratégia, auxiliando os gestores a conhecer o ambiente em que a empresa está inserida, além de fortalecer os pontos fortes e mitigar os riscos. Isso permite que eles tomem decisões mais concretas e se preparem melhor para o futuro. Nesse sentido, o planejamento estratégico “não é apenas um documento estático, deve ser visto como uma ferramenta de gestão dinâmica que contém decisões antecipadas sobre o curso de ação que uma organização deve seguir no cumprimento de sua missão” (ALDAY, 2000, p.15). Todo planejamento tem um propósito, uma meta que deve ser alcançada, como aponta Lacombe (2005, p. 28): O planejamento estratégico refere-se ao planejamento sistemático de objetivos de longo prazo e os meios para sua realização, ou seja, os elementos estruturais mais importantes de uma organização e seu ramo de atuação, levando em consideração não apenas os aspectos internos, mas principalmente o ambiente externo em qual está inserido. Nessa perspectiva, o planejamento estratégico deve contemplar o contexto em que a organização está inserida, mas também os profissionais envolvidos nessa organização, que devem buscar a execução e o comprometimento de suas atividades de trabalho como meio para atingir os objetivos previstos na estratégia da organização. O planejamento faz parte deles. Ao mesmo tempo, Marques (2009, p. 9) afirma: O grande desafio será desenvolver profissionais para fazer parte da estratégia da organização, para desempenhar um papel estratégico e pioneiro nos interesses da empresa, agregando valor à empresa. As organizações superam novos desafios organizacionais por meio de ações integradas que atendem às suas expectativas de recursos humanos e de negócios e desenvolvem competências que podem apoiar, otimizar e direcionar esforços. Segundo Matos (2014, p. 111), o planejamento estratégico “fornece uma estrutura unificada que ajuda os gerentes a identificar problemas organizacionais, bem como identificar novas oportunidades, ouseja, pontos fortes a explorar e pontos fracos a serem observados”. O planejamento também deve ser visto como uma ferramenta que, além de proporcionar preparação ou previsão de possíveis mudanças, permite a reflexão e análise de possíveis eventos futuros, proporcionando uma visão mais ampla do ambiente em que atua o planejamento. Não deve ser vista como o único processo que garante o sucesso organizacional, mas sim como uma ferramenta que auxilia na identificação e implementação de estratégias que norteiam a organização em todos os níveis (FASCINA, 2013, p. 19). O planejamento estratégico é um pré-requisito essencial para o sucesso organizacional e envolve a antecipação de ações estratégicas voltadas para o alcance de metas pré-determinadas. Drucker (1998, p.136) define o planejamento estratégico como "o processo contínuo de tomada de decisões atuais envolvendo riscos, organização sistemática das atividades necessárias para realizar essas decisões e medição dos resultados dessas decisões em relação às expectativas desejadas". Técnicas e conceitos de planejamento mudaram consideravelmente ao longo do tempo para chegar a uma visão da importância de desenvolver estratégias com base na análise ambiental. Planejamento estratégico pelo gerente geral: “Estratégia é responsabilidade do gerente geral, visando objetivos de longo prazo e eficazes, abrangendo toda a organização, definindo direção, metas, estratégia, etc. (PALUDO, 2015, p.32). O papel do planejamento estratégico na gestão das cidades está intimamente relacionado à importância fundamental da adoção e utilização dos recursos públicos, pois ao pagar bens e serviços prestados no orçamento deve-se levar em conta a eficiência. Essa prática inclui planejamento estratégico e otimização de custos, valorizando investimentos com poucos recursos. Segundo Rezende (2009) deixa claro no Plano Estratégico Conjunto (PEM) que a equipe multidisciplinar constitui elemento fundamental para o sucesso metodológico desse projeto participativo e coletivo. Pode incluir as seguintes funções: padrinho; gerente; quadros a nível de comuna; e cidadãos. Todas as atividades do projeto PEM devem ser desenvolvidas por membros de uma equipe multidisciplinar trabalhando de forma interdisciplinar e coletiva. Este grupo pode também ser designado por comissão de trabalho, complementado pelos seguintes grupos de pessoas: conselho distrital, conselho municipal ou conselho comunitário local; Diretoria ou Patrocinadores do PEM; comitê gestor ou comitê gestor, ou grupo de coordenação multidisciplinar do PEM; grupos de trabalho, comitês especializados ou conselhos setoriais; e consultores externos. Depois de nomear as pessoas envolvidas, será necessários para treiná-los e depois planejar suas atividades. Todo projeto deve ser elaborado com método adequado, viável, dinâmico e inteligente. Uma vez que o PEM é um projeto de cidade, requer uma abordagem coletiva para o projeto e implementação. Pode ser uma abordagem organizada para tornar o projeto bem-sucedido por meio de etapas pré-estabelecidas (REZENDE, 2009, p.45). O planejamento estratégico, segundo Motta (1979), consiste em um processo sistemático de olhar para fora e para frente na construção de uma visão de futuro, ou seja, de adaptabilidade, tornando a organização mais flexível e transformando-a frente às rápidas mudanças. mudanças no ambiente. ambiente externo, bem como a capacidade de conviver com a ambigüidade. Método Trata-se de uma revisão bibliográfica de cunho exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa. A seleção dos artigos foi feita nas plataformas de busca eletrônica: Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Scientific Electronic Library Online (Scielo) e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), publicados em português, dos livros foram acessados. Os descritores utilizados foram: Planejamento Estratégico; Administração Pública. Para a elaboração desta revisão abrangente, foram utilizados os procedimentos metodológicos recomendados pela literatura vigente, a saber: 1) identificação dos tópicos e questões norteadoras, 2) estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão, 3) classificação dos artigos, 4) avaliação dos resultados de inclusão; 5) interpretação dos resultados 6) síntese do conhecimento. O projeto será desenvolvido na Prefeitura Municipal de Ecoporanga/ES, nos órgãos que compõem a estrutura administrativa, buscando-se alcançar os objetivos: geral e específicos propostos, visando entender os desafios encontrados pelos gestores para implantação efetiva do planejamento estratégico. Sujeitos da intervenção (público-alvo): Gestores Públicos Municipais dos diversos órgãos da Administração Pública Municipal.


Collections: