Caracterização ambiental e análise temporal da recuperação de áreas degradadas em um agroecossistema na Estância São Lucas, Guaçuí-ES
Dissertação de mestrado
A recuperação de áreas degradadas é fundamental para reverter os impactos ambientais causados por atividades antrópicas, como o desmatamento e a expansão agropecuária, que comprometem a biodiversidade e a disponibilidade de recursos hídricos. Nesse contexto, objetivou-se investigar e descrever os processos de recuperação de áreas degradadas na Estância São Lucas, em Guaçuí-ES, ao longo de 23 anos (2001-2024). A metodologia incluiu visitas in loco, análise de imagens de satélite e de drones, além da sistematização de dados históricos e técnicos para realizar a caracterização ambiental, as práticas agroecológicas aplicadas e a análise temporal da evolução da cobertura vegetal. As práticas de recuperação envolveram o plantio direto de mudas, sistemas agroflorestais, muvuca de sementes, enriquecimento ambiental e recuperação natural, abrangendo 16,4 hectares de um total de 36,8 hectares da propriedade. A análise geoespacial revelou um aumento significativo na densidade da cobertura vegetal, com a consolidação de um ecossistema estável a partir de 2018. A recuperação foi impulsionada pelo plantio de espécies nativas da Mata Atlântica, como garapa e ipês, na Reserva Particular do Patrimônio Natural, e pela introdução de frutíferas e espécies exóticas em áreas de enriquecimento. O consórcio de café, banana e espécies nativas no sistema agroflorestal demonstrou a viabilidade de conciliar produção agrícola com recuperação ecológica. Os resultados evidenciaram impactos positivos no regime hídrico, com aumento do volume de água e recarga do lençol freático, além da recuperação da biodiversidade, com o retorno de espécies como jacus, tatus, lontras e tucanos. A reintrodução de 858 animais entre 2018 e 2024 reforçou o sucesso das práticas adotadas. No entanto, desafios como a escassez de mudas, o controle de espécies invasoras (como o capim braquiária) e a manutenção de cercas ainda precisam ser superados. A participação da comunidade local e o apoio técnico de instituições como o programa Reflorestar e a SOS Mata Atlântica foram fundamentais para o sucesso do projeto. As práticas integradas de recuperação, aliadas ao monitoramento contínuo e ao engajamento comunitário, podem restaurar a funcionalidade ecológica e produtiva de áreas degradadas, servindo como modelo para outras iniciativas de conservação e promoção da sustentabilidade.
Redes Sociais