Potencial antimicrobiano de fungos no controle de micro-organismos contaminantes do pescado

Rosa, Bruna Morales Paris (2018)

Trabalho de conclusão de curso

RESUMO: O pescado é um alimento rico em proteínas, sendo um dos alimentos mais perecíveis e suscetíveis à deterioração e contaminação. Os conservantes, utilizados para prevenir essa deterioração, são na grande maioria compostos químicos com potencial alergênico e causadores de intoxicações de origem alimentar. Metabólitos secundários produzidos por fungos são vistos como novas ferramentas biotecnológicas capazes de substituir os antimicrobianos atualmente utilizados. Com o aumento da resistência a antimicrobianos pelas bactérias que contaminam os alimentos derivados de pescado, faz-se necessária a busca por compostos mais eficazes no controle desses micro-organismos, mas que sejam menos tóxicos. O presente trabalho teve como objetivo a busca por fungos produtores de metabólitos secundários que possam ser utilizados como conservantes naturais no controle de micro-organismos contaminantes do pescado, prolongando sua vida de prateleira. Foram realizadas coletas de folhas de três gêneros vegetais, em cinco pontos distintos, ambas na região de manguezal no município de Piúma-Es no ano de 2018. Isolou-se 29 fungos endofíticos morfologicamente diferentes. Também foram isolados neste trabalho, 5 fungos marinhos os quais foram submetidos a diversos testes de antagonismo contra contaminantes de pescado. Dos 29 endofíticos, os fungos P1FE e P5FC apresentaram melhores resultados nos testes de antagonismo in vitro contra os patógenos Staphylococcus aureus, Salmonella sp. e Escherichia coli e Vibrio parahaemolyticus, e apenas o fungo ABD-1 isolado do polvo obteve resultados satisfatórios no controle dos patógenos acima. Para os testes de aumento de prateleira foi utilizado o peixe da espécie Sarda sarda e os sobrenadantes da cultura dos fungos P1FE e ABD – 1, os quais apresentaram melhores resultados nos testes in vitro. Foram utilizados 15 pedaços de 25 gramas cada, sendo: cinco pedaços para o controle (peixe sem fungo) e cinco pedaços para cada extrato fúngico. As análises de micro-organismos contaminantes foram realizadas com 0 dias, dois dias, cinco dias, oito dias, onze dias e quatorze dias de inoculação. Os fungos testados apresentaram bons resultados quando submetidos ao teste de aumento de prateleira, confirmando o potencial dos fungos endofítcos e marinhos como produtores de compostos com atividade antimicrobiana.

ABSTRACT: Fish is one of the most perishable and susceptible to deterioration and contamination protein-rich food. Preservatives, used to prevent this deterioration, are mostly chemical compounds with allergenic potential and cause food poisoning. Secondary metabolites produced by fungi are seen as new biotechnological tools capable of replacing the currently used antimicrobials. With the increase of antimicrobial resistance by the bacteria that contaminate food derived from fish, it is necessary to search for more effective and less toxic compounds in the control of these microorganisms. The present work aim to search for fungi capable of produce secondary metabolites that can be used as natural preservatives in the control of contaminating microorganisms of the fish, prolonging their shelf life. Leaf of three plant genera were collected at five different points in the mangrove region of Piúma-ES municipality in the year 2018. Twenty-nine different morphologically endophytic fungi were isolated. Other five marine fungi were isolated from an octopus. Every fungi isolate were submitted to various tests of antagonism against fish contaminants. Of the 29 endophytes, the fungi P1FE and P5FC presented better results in the tests of antagonism in vitro against the pathogens Staphylococcus aureus, Salmonella sp. and Escherichia coli and Vibrio parahaemolyticus, and only the ABD-1 fungus isolated from the octopus obtained satisfactory results in the control of the above pathogens.The Sarda sarda fish and the supernatants of the fungi P1FE and ABD - 1 cultures were used for the shelf increase tests, which presented better results in the in vitro tests. Fifteen pieces of 25 grams each were used: five pieces were used as control (fish without fungus) and five pieces were used with each supernatant. Contaminant microorganism analyzes were performed with zero, with two days, five days, eight days, eleven days and fourteen days of inoculation The fungi tested showed good results when submitted to the shelf increase test, confirming the potential of endophytic and marine fungi as producers of compounds with antimicrobial activity.


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