Pathos, ethos e logos em charges de Charlie Hebdo

Lordes, Antonio Wallace (2019)

Tese de doutorado

RESUMO: O jornal Charlie Hebdo ganhou notoriedade mundial em decorrência do seu envolvimento em polêmicas, as quais culminaram em atentados promovidos por grupos extremistas islâmicos. Com um humor peculiar, o teor dos efeitos de sentido gerados pelas charges de Charlie Hebdo atinge todos os estratos da sociedade, especialmente aqueles ligados à posição direitista, cujas ideologias se contrapõem ao posicionamento esquerdista do jornal. Além da religião, a política, o meio artístico, a economia também são, frequentemente, pautas para suas matérias, sinalizadas em suas capas por charges provocantes e, às vezes, chocantes, do ponto de vista tanto verbal quanto visual. A charge, tomada neste trabalho como gênero discursivo, serve como chamariz aos assuntos discutidos ao longo de toda a composição redacional do periódico. Sob um jogo de estratégias em busca de adesão do discurso, estão envolvidos fatores de ordem linguístico-discursivas os quais são orientados pelos estados emotivos dos enunciadoresde Charlie Hebdo. Deste modo, neste trabalho, considera-se que opathos, o ethos e o logosse realizam na mise em scène discursiva como forte estratégia de captação, oriunda de sujeitos intencionais e racionais que, em prol de um projeto linguageiro, buscam manter sua legitimidade e credibilidade e persuadir o outro. Este apelo se faz pela desenvoltura e integração (inevitável) das três provas retóricas: o pathos, o ethos e o logos, através das quais acionam-se, estrategicamente, outros elementos relacionados ao ato de fala tais como os imaginários sociodiscursivos, instituídos a partir dos saberes de crença. Diante desta dinâmica, supõe-se que os enunciadores de Charlie Hebdo, por um lado, influenciam o surgimento de uma tópica de emoções negativas como raiva, revolta, tristeza, indignação e, por outro, emoções positivas como orgulho, alegria, senso de justiça, empatia, etc. em seu público. Diante do exposto, nosso arcabouço teórico em relação às provas retóricas concentra-se em Amossy (2007; 2008; 2014a; 2014b; 2014c; 2014d; 2017; 2018), Charaudeau (1996; 2000; 2001; 2004a; 2004b; 2005; 2006a; 2006b; 2007; 2008a; 2008b; 2009; 2010; 2011a; 2011b; 2014; 2017), Maingueneau (1997; 2008a; 2008b; 2010; 2014; 2015) e Plantin (2008; 2010; 2011a; 2011b).

ABSTRACT: The Charlie Hebdo newspaper has gained worldwide notoriety as a result of its involvement in polemic issues, which led to attacks by extremist Islamic groups. With a peculiar sense of humor, the tone of the effects of meaning generated by the cartoons of Charlie Hebdo reaches all strata of society, especially those linked to the rightist position, whose ideologies oppose the leftist position of the newspaper. In addition to religion, politics, the arts, and economics are also often guidelines for their stories, flagged on their covers by provocative and sometimes shocking cartoons, both verbally and visually.The cartoon, taken in this work as a discursive genre, serves as an attraction factor to the subjects discussed throughout the newspaper's editorial composition. Under a strategy game in search of discourse adhesion, linguisticdiscursive factors are involved which are guided by the emotional states of Charlie Hebdo's enunciators. Thus, in this work, it is considered that pathos, ethos and logos come to happen in the discursive mise en scène as a strong capture strategy coming from intentional and rational subjects who, for the sake of a language project, seek to maintain their legitimacy and credibility and persuade the other. This appeal is made through the performance and (inevitable) integration of the three rhetorical proofs: pathos, ethos and logos, through which other elements related to the act of speech are strategically activated, such as the socio-discursive imaginaries, instituted from the knowledge of belief. Given this dynamic, it is assumed that the statements of Charlie Hebdo, on the one hand, influence the emergence of a topic of negative emotions such as anger, rebellion, sadness, indignation and, on the other, positive emotions such as pride, joy, sense of justice, empathy etc. in its audience. Given the above, our theoretical framework for rhetorical evidence focuses on Amossy (2007; 2008; 2014a; 2014b; 2014c; 2014d; 2017; 2018), Charaudeau (1996; 2000; 2001; 2004a; 2004b; 2005; 2006a ; 2006b; 2007; 2008a; 2008b; 2009; 2010; 2011a; 2011b; 2014; 2017), Maingueneau (1997; 2008a; 2008b; 2010; 2014; 2015) and Plantin (2008; 2010; 2011a; 2011b).

RÉSUMÉ: Le journal Charlie Hebdo a acquis une notoriété mondiale par son implication dans des polimiques qui ont abouties aux attaques portés par des groupes extrémistes islamiques. Avec son humour atypique, le ton apperçu par les charges de Charlie Hebdo, atteint tous les niveaux de la societé, en especial à ceux lié au positionnement de la droite, , dont les idéologies s'opposent au positionnement de la gauche du journal. En plus de la religion, la politique, l’art et l'économie sont fréquemment des sujets abordés par le jornal, affichés sur sa couverture sur la forme de caricature, peuvent être aperçus comme provocants voire choquants aussi bien que sur le coté visuel que le côté verbal. La charge aperçue comme étant du genre discursif sert pour attirer l’attention sur les sujets abordés dans le journal. Dans ce jeu de stratégies dans le but d'une adhésion au discours, des facteurs linguistiques et discursifs sont impliqués et influenciés par les états émotionnels des locuteurs du Charlie Hebdo. Ainsi, dans cet ouvrage, pathos, ethos et logos sont considérés comme faisant partie du discours sur la mise en scène comme une stratégie forte de capture, émanant de sujets intentionnels et rationnels qui, en faveur d'un projet linguistique, ils cherchent à maintenir leurs légitimité et leur crédibilité et à persuader les autres. Cet appel est fait par la débrouillardise et l’intégration (inévitable) des trois preuves rhétoriques: pathos, ethos et logos, par lesquels d’autres éléments sont déclenchés et liés à l’acte de langage, tels que les imaginaires sociodiscursifs, institués à partir de la connaissance de la croyance. Face à cette dynamique, on suppose que les annonciateurs de Charlie Hebdo d’un côté influencent l'émergence d'un ensemble d'émotions négatives telles que la colère, la révolte, la tristesse, l'indignation et de l’autre côté, les aspects positifs tel que l'orgueil, la joie, le sens de la justice, l’empathie etc. dans son public. À la lumière de ce qui précède, notre cadre théorique relatif aux preuves rhétoriques se concentre sur Amossy (2007; 2008; 2014a; 2014b; 2014c; 2014d; 2017; 2018), Charaudeau (1996; 2000; 2001; 2004a; 2004b; 2005; 2006a; 2006b; 2007; 2008a; 2008b; 2009; 2010; 2011a; 2011b; 2014; 2017), Maingueneau (1997; 2008a; 2008b; 2010; 2014; 2015) e Plantin (2008; 2010; 2011a; 2011b).