Problematizando a noção de "vítima" de violência

Mansur, Thiago Sandrini ; Machado, Leila Aparecida Domingues (2014)

artigo

RESUMO: Apresentamos algumas discussões de uma pesquisa em que acompanhamos aproximadamente quinze mães de adolescentes que sofreram violência quando cumpriam medida socioeducativa. Buscamos analisar como certas concepções de “vítima” são atualizadas nas falas, ações, sentimentos e pensamentos dessas mães e como tais concepções contribuem para engendrar processos de produção de subjetividades. Para tanto, utilizamos a cartografia, um método de pesquisa da subjetividade que almeja acompanhar processos, e não representar realidades já dadas. Realizamos vinte encontros com as mães, na forma de assembleia geral, registrados em atas e diário de campo. Suas falas e ações oscilavam entre duas formas-subjetividade antagônicas: a reprodução de formas individualizadas de sofrimento e a criação de formas de organização coletiva para lutar por seus direitos, questionando a individualização da violência. Esperamos colaborar com o debate sobre a violência na atualidade, possibilitando problematizar a noção de “vítima”, desnaturalizar práticas e vislumbrar outros modos de exercício da cidadania.

ABSTRACT: We present discussions that we made in a research in which we monitored fifteen mothers that have teenager kids who suffered from violence in an establishment of correctional measures. We analyze how certain conceptions of victim of violence are updated through speeches, actions, feelings and thoughts of these mothers, and, also, how these conceptions contribute to engender processes of production of subjectivity. We use the cartography, a method of subjectivity’s research that aims to monitor processes, not representing realities already given. We performed twenty meetings with these mothers, recorded in minutes and field diary. Their speeches and actions oscillated between two antagonistic kinds of subjectivity: reproduction of individualized forms of suffering, and the creation of collective organization to fight for their rights, questioning the individualization of violence. We hope to cooperate with the debate on violence, enabling problematize the notion of “victim”, unnaturalizing practices and envision other ways of citizenship.


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