Contribuições para o acesso à comida de verdade: uma abordagem acerca das Plantas Alimentícias Não Convencionais da Mata Atlântica

Carriço, Ingrid Gabriella da Hora (2021)

dissertacao_mestrado

Uma forma de conhecer a biodiversidade brasileira pode ser alimentando-se dela. Buscar conhecimento em locais que tradicionalmente se alimentam de plantas nativas e endêmicas e inserir esses vegetais nas refeições é uma forma de valorizá-los. Existe uma grande diversidade de plantas pouco utilizadas na alimentação, mas que podem contribuir para manter uma dieta nutricionalmente rica e variada, bem como para soberania e segurança alimentar. Este trabalho objetivou elaborar um material bibliográfico a partir de uma compilação das espécies de plantas alimentícias não convencionais (PANC) que foram citadas nos trabalhos etnobotânicos realizados em áreas pertencentes ao território original da Mata Atlântica no Brasil e desta forma, disseminar o conhecimento acerca das PANC com potencial de uso na agricultura familiar para democratizar o seu consumo e facilitar o acesso às mesmas. Este estudo configura-se como exploratório-descritivo, sendo adotada a pesquisa bibliográfica como procedimento metodológico. A investigação foi realizada utilizando a base de dados Google Acadêmico e o site de publicações científicas e periódicos Scielo, para ambos os portais foi padronizado os descritores “Etnobotânica + PANC + Mata Atlântica”, “Etnobotânica + plantas silvestres + Mata Atlântica”. Foi realizada uma seleção dos artigos encontrados resultando em 22 artigos para análise. Após passar pelos critérios estabelecidos na metodologia para seleção das espécies, foram identificadas 256 espécies de plantas comestíveis, destas, 102 são exóticas mas cultivadas e/ou naturalizadas no Brasil e possuem ocorrência na Mata Atlântica, 122 são nativas com domínio fitogeográfico na Mata Atlântica, mas podendo ocorrer também em outros biomas e 32 são endêmicas do bioma Mata Atlântica do Brasil. O número de espécies nativas identificadas nessa pesquisa aponta que há uma relação próxima dos moradores com a Mata Atlântica do entorno e que, em face da grande diversidade biológica do bioma, os grupos estudados que interagem diretamente com essa biodiversidade possuem amplo conhecimento sobre suas espécies vegetais. A agrobiodiversidade local das PANC torna os atores sociais rurais e urbanos, aliados aos estudos conservacionistas sobre as espécies da Mata Atlântica. Assegurar o modo de vida de comunidades locais é também contribuir para a preservação de espécies da Mata Atlântica e do conhecimento associado a elas.

One way to get to know Brazilian biodiversity can be feeding on it. Seeking knowledge in places that traditionally feed on native and endemic plants and inserting these vegetables in meals is a way to value them. There is a great diversity of plants that are little used in food, but that can contribute to maintaining a nutritionally rich and varied diet, as well as to food sovereignty and security. This work aimed to elaborate a bibliographic material from a compilation of the species of unconventional food plants (UFP) that were mentioned in the ethnobotanical works carried out in areas belonging to the original territory of the Atlantic Forest in Brazil and, in this way, to disseminate knowledge about the UFP with potential for use in family farming to democratize their consumption and facilitate access to them. This study is an exploratory-descriptive study, adopting bibliographical research as a methodological procedure. The investigation was carried out using the Google Academic database and the Scielo scientific publications and periodicals website. The descriptors “Etnobotany + UFP + Atlantic Forest”, “Etnobotany + wild plants + Atlantic Forest” were standardized for both portals. A selection of the articles found was performed, resulting in 22 articles for analysis. After passing the criteria established in the methodology for species selection, 256 species of edible plants were identified, of which 102 are exotic but cultivated and/or naturalized in Brazil and occur in the Atlantic Forest, 122 are native with phytogeographic domain in the Atlantic Forest, but it can also occur in other biomes and 32 are endemic to the Atlantic Forest biome of Brazil. The number of native species identified in this research indicates that there is a close relationship between the residents and the surrounding Atlantic Forest and that, given the great biological diversity of the biome, the studied groups that directly interact with this biodiversity have extensive knowledge about its plant species. The local agrobiodiversity of the UFP turns social actors into rural and urban areas, together with conservation studies on Atlantic Forest species. Ensuring the livelihood of local communities is also contributing to the preservation of Atlantic Forest species and the knowledge associated with them.


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