O Ifes na produção de epistemologias do Sul

Piccin, Gabriela Freire Oliveira (2021)

tese de doutorado

RESUMO: A partir das noções de epistemologias do Sul (por exemplo, SOUSA SANTOS, 2021), pensamento de fronteira (MIGNOLO, 2020a), tradução intercultural (SOUSA SANTOS, 2018), pedagogias decoloniais (WALSH; OLIVEIRA; CANDAU, 2018) e ecologia de saberes (SOUSA SANTOS, 2008a), analiso o papel do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) na produção de saberes com suas comunidades locais. Assentada na concepção bakhtiniana de linguagem, utilizo técnicas de pesquisa narrativa (PAVLENKO, 2007; BARCELOS, 2020) para analisar os dados produzidos em rodas de conversa inspiradas no método Paulo Freire (BRANDÃO, 2017). O material empírico e o referencial teórico sugerem que o IFES é construído discursivamente como representante das promessas de progresso científico e tecnológico da modernidade. A maioria das/os participantes envolvidas/os com a produção de epistemologias do Sul declarou desenvolver ações de extensão e ter engajamento com movimentos sociais, o que vai ao encontro do argumento de Sousa Santos (2019) sobre a relevância dos movimentos sociais nas epistemologias do Sul. As narrativas indicaram a extensão universitária como meio de favorecer a inserção do IFES na produção de epistemologias com movimentos sociais, educadoras/es ambientais, povos do mar de comunidade de origem indígena, inventoras/es periféricas/os, surdas/os e sujeitos rurais. A análise indica que tal produção epistemológica ocorre quando há tradução intercultural (SOUSA SANTOS, 2018) em espaços dialógico-fronteiriços entre IFES e as comunidades locais. A análise também enfatiza a necessidade de decolonizar as políticas linguísticas, curriculares e de internacionalização. Por fim, discuto as implicações da pandemia para a produção epistemológica desses sujeitos do IFES com suas comunidades, em um exercício de pensar um IFES utópico para um mundo de outro modo.

ABSTRACT: Drawing on the notions of epistemologies of the South (e.g. SOUSA SANTOS, 2021), border thinking (MIGNOLO, 2020a), intercultural translation (SOUSA SANTOS, 2018), decolonial pedagogies (WALSH; OLIVEIRA; CANDAU, 2018), and ecology of knowledges (SOUSA SANTOS, 2008a), I analyze the role of the Federal Institute of Espirito Santo (IFES) in the production of knowledges with its local communities. In line with the bakhtinian conception of language, I employed narrative research techniques (PAVLENKO, 2007; BARCELOS, 2020) to analyze the data produced in online focus group conversation meetings inspired by the Paulo Freire method (BRANDÃO, 2017). The empirical material and the theoretical framework suggest that the IFES is discursively constructed as a representative of the promises of scientific and technological progress of modernity. Most of the participants involved with the production of epistemologies of the South declared to develop outreach activities and to have engagement with social movements, in line with Sousa Santos’ argument (2019) regarding the prominence of social movements in the epistemologies of the South. Thus, the narratives indicated outreach as a means that favored the insertion of IFES in the production of epistemologies with social movements, environmental educators, sea people from an indigenous community, peripherical inventors, deaf people and rural subjects. The analysis indicates that such epistemological production occurs when there is intercultural translation (SOUSA SANTOS, 2018) in dialogical-border spaces between IFES and local communities. The analysis also emphasizes the need to decolonize language, curricular and internationalization policies. Finally, I discuss the implications of the pandemic for the epistemological production of these subjects from IFES with their communities, in an exercise of thinking about a utopian IFES for a world otherwise.