Deslindar a cidade: habitar no habitat do Residencial Vila Velha

Ribeiro, João Nolasco (2021)

dissertação de mestrado

RESUMO: Dentro da ampla possibilidade estudos do espaço, delimita-se como tema a prática espacial da habitação no espaço urbano. Tendo em vista o horizonte político-pedagógico de “educação na cidade”, assumido pelo Grupo de Estudos sobre Educação na Cidade e Humanidades do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Gepech/Ifes), indaga-se quais conflitos socioespaciais se materializam em modelos de habitação na forma condominial na Região Metropolitana de Vitória e o que revelam ou ocultam a história, a organização, o perfil de moradores e a gestão desses condomínios quanto ao direito à cidade. Tem-se como objetivo geral revelar a cidade como espaço de disputa e cisão socioespacial, a partir da prática espacial da habitação, de modo a deslindar suas contradições e a sistematizá-las em material educativo a ser compartilhado e avaliado por professores da educação básica. A fim de trazer essa discussão à baila, optou-se por estudar o condomínio Residencial Vila Velha, no bairro Jabaeté, município de Vila Velha. De caráter teórico-empírico, a pesquisa conta com análise documental, registro de visitas e observações no Residencial Vila Velha, assim como conversas e entrevistas com seus gestores e moradores. A análise dos dados sinaliza a dominância da lógica do capital que impõe a moradia como habitat. Os processos de homogeneização submetem os espaços da cidade ao negócio e à sua apropriação privada. No condomínio Residencial Vila Velha, a interferência do mercado imobiliário ocorre pela mediação do Estado, pois tal conjunto decorreu do âmbito das políticas públicas, mais precisamente do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), sendo os projetos e as obras executadas por empresas privadas. Ressalta-se ainda que os processos de homogeneização se acompanham da fragmentação e hierarquização espacial. O Residencial Vila Velha localiza-se na periferia do município de Vila Velha em um bairro considerado de “risco social”. Os espaços comuns entre os moradores são restritos, assim como os próprios apartamentos, construídos com materiais baratos e sem refino no acabamento. Isso significa que, ao estar submetida à lógica do valor, essa moradia do PMCMV na forma condominial expressa a segregação da cidade e de seus espaços. Por mais que prevaleça a lógica racionalizada do habitat nesse condomínio os habitantes do Residencial Vila Velha podem estabelecer com sua moradia algo que escapa à lógica da mercadoria. Por vezes, porém, apropriam-se do seu apartamento como a realização de um sonho e a conquista de um direito, abrigo necessário a todo ser humano.


Colecciones: